segunda-feira, 18 de maio de 2015

O PALÁCIO DO PLANALTO E A MP 666 DA BESTA.

No último domingo, dia 17 de maio, a presidenta Dilma Roussef se reuniu em Brasília com os ministros Joaquim Levy da Fazenda, Nelson Barbosa do Planejamento e Aloizio Mercadante da Casa Civil  para discutirem  sobre o que seria feito para compensar as modificações feitas pelo Congresso Nacional nas MP's 664 e 665 que pretendiam economizar 1,2% do PIB ou R$66,5 bilhões em 2015.

Para reparar a perda o governo pretende contingenciar ainda mais os seus gastos, um corte que pode chegar a R$78 bilhões associado ao aumento da carga tributária para o ajuste da política fiscal contracionista posta em prática pelo governo ao final de 2014 para se alcançar o superávit primário. 

Projetos de investimentos como o Minha Casa, Minha Vida é algo tido como líquido e certo para sofrer o desinvestimento do governo federal e como quem está à frente da economia é um economista neoliberal nada o impede de contingenciar os programas sociais como o Bolsa-Família a fim de atender a sua vontade desmedida  em privilegiar o mercado.

Desde o anuncio das MP's 664 e 665 que defendendo o pensamento de que o segundo mandato da presidenta Dilma é uma operação de desconstrução do que foi um governo voltado para os trabalhadores.

A preocupação do Planalto é evitar o rebaixamento do rating do Brasil frente as agências de classificação de risco a fim e garantir o pagamento dos juros da dívida publica aos investidores nacionais e transnacionais a um custo social muito alto a semelhança dos receituários do FMI.

Na pauta de conversação da Junta Orçamentária não se tratou de taxar as grandes fortunas, da auditoria da dívida publica prevista pela Constituição Federal, incluir na Dívida Ativa da União as grandes corporações que fraudaram o fisco federal e fazer a cobrança através de processo de Execução Fiscal, cortar a despesa de R$58,4 bilhões com absurdos 39 ministérios a serviço do fisiologismo político a fim de atender as barganhas feitas antes das eleições do ano passado, entre outras possibilidades exequíveis que só dependem de coragem e da vontade política do governo federal. 

Impossível deixar de notar que o Executivo não fica constrangido em fazer calorosos afagos ao "deus mercado" em prejuízo de trabalhadores dos pequenos e médios empresários, a opção por quem deve servir de ovelha para o holocausto recai sobre aqueles que não tem voz - aliás,não tem voz uma vírgula, basta o povo se conscientizar da sua força para ver o que acontece em Brasília - enquanto isso leis injustas e imorais vão continuar sendo postas em prática até que haja um levante popular contra este estado de coisas.

Não é em nome de um partido ou ideologia que a busca por justiça social deve ser feita, é nome de uma a turba, de uma multidão, das massas insatisfeitas resolverem tomar as rédeas da decisão política e passar a exigir que se faça o deve ser feito e quebrar o paradigma de que o lado mais fraco, o que não tem voz, deve ser penalizado para favorecer 124 pessoas que juntas detêm 12,3% do nosso PIB.

Para concluir, se o Palácio do Planalto seguir a sequência numérica das Medidas Provisórias, a próxima deve ter o numero MP 666, o numero da besta apocalíptica - bem apropriado para quem pretende antecipar a vinda do 3º Cavaleiro do Apocalipse através do empobrecimento dos brasileiros.

José carvalho, Salvador, maio de 2015.