quarta-feira, 15 de abril de 2015

BANQUEIROS COMEMORAM ENTUSIASTICAMENTE OS 100 DIAS DO GOVERNO DILMA.

O economista Edmar Bacha  usava neologismos para expressar o dualismo das realidades politica, econômica e social do Brasil.

As declarações do colunista econômico do jornal "O Estado de São Paulo", Celso Ming, traduz muito bem as expressões criadas pelo professor Bacha quando disse:

"É mais provável que a população, e até formadores de opinião, levem mais tempo para entender que já há mais chão do que havia há cem dias, porque a terapêutica é dolorosa e na dor é mais difícil de perceber sinais de melhora. Mas quem abrir os olhos terá condições de enxergar mudanças na direção correta" (sic)

E acrescenta:

"...o risco de rebaixamento do País foi dissipado."

Mais aonde se pode ser visto "esses sinais de melhora" dentro da atual conjuntura econômica brasileira?

Seguramente quem pode sentir essa melhora são os bancos credores de títulos da dívida publica do governo e o aumento da taxa Selic para 12,75% a.a.

O descontentamento do brasileiro com a política e a economia são mascarados por causa das manifestações alopradas de "Fora Dilma!".

E o ministro Joaquim Levy com saudades das famigeradas missões do FMI agora convida as agências de riscos para virem aqui a fim de emitirem o seu rating sobre o Brasil.

Mas esta iniciativa do ministro não mudou as perspectivas das agências de risco sobre o Brasil que preveem uma avaliação de risco negativa sobre a nossa economia, face ao descontentamento político e social dos brasileiros.

Prova disso é a queda dos investimentos estrangeiros direto em nossa economia.

O consumo dos trabalhadores, do setor de serviços e do comércio caem vertiginosamente.

O Brasil que o Celso Ming fala é o Brasil dos banqueiros, dos grandes investidores nacionais e transnacionais mas o Brasil da classe trabalhadora, dos pequenos e médios empresários é outro - porque o remédio posto em prática pelo ministro Levy é semelhante àqueles medicamentos que mais matam do que curam se parar para ler a receita,não o toma. 

O segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff é a desconstrução do que foi um governo de trabalhadores, a economia se deteriora os antigos índices sociais amplamente comemorados pelos seus ineditismos se esvaem em meio a uma política fiscal contracionista e perversa com os trabalhadores. 

Como tenho dito, o afeto do povo com quem governa é condicional, se a economia vai bem, o povo fica ao lado do governante.

Mas se economia vai mal o instinto de auto-preservação fala mais alto que o apego do povo com quem governa ou a sigla do partido que o representa.

José Carvalho, Salvador, abril de 2015.